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Distrito - Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo

Enquadramento e Breve Caracterização Física

Brasão de Figueira Castelo RodrigoO concelho de Figueira de Castelo Rodrigo é um dos concelhos mais excêntricos do Distrito da Guarda, e tal como os restantes tem assistido a um declínio demográfico. De 1960 a 1991 este concelho perdeu quase 40% da sua população, existindo algumas freguesias (17 ao todo), que registaram valores na ordem dos 65% para o mesmo período.

A relativa grande extensão, 508,57 Km2, conjuntamente com conjuntura demográfica, tem conduzido a uma redução da densidade demográfica que actualmente andará pelos 16 habitantes por Km2, constituindo o valor mais baixo registado no distrito.

Mapa do Distrito da Guarda - Figueira Castelo RodrigoA posição do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo contribui preponderante para a sua especificidade territorial sendo a sua localização definida grosso modo pelo rio Douro a Norte, pelo rio Águeda e Ribeira de Tourões, elementos constituintes da fronteira internacional, a Este, pelo rio Côa a Oeste e, por fim, pelo limite do concelho de Almeida a Sul.

Este concelho enquadra-se na "Superfície da Meseta", prolongamento em território português do "Planalto de Castela-a-Velha". A "Superfície da Meseta" surge no sector sul deste concelho como uma superfície de aplanamento bem conservada, com altitudes que decrescem nitidamente em direcção a noroeste, passando dos 700-800 metros a sul para os 200-150 m nas proximidades do Douro.

Como relevo mais significativo temos a Serra da Marofa (altitude máxima de 977 metros), relevo residual que surge como um objecto inconfundível na paisagem. Esta serra é um sinclinal ordovícico que emerge do complexo xisto-grauváquico, devendo o seu relevo à particular dureza das assentadas quartzíticas.

Em termos de litologia, a área é constituída basicamente por duas unidades, xistos e granitos, e uma categoria de depósitos de superfície, depósitos grosseiros tipo raña, que surgem junto no sopé da Marofa. Todavia, podemos afirmar que existe um predomínio dos granitos, embora os xistos surjam tanto a Sul, junto à Serra da Marofa, como a Norte, no vale do Douro.

Quanto à hidrografia, poderemos afirmar que o território concelhio é drenado basicamente por três bacias hidrográficas: a bacia hidrográfica do Côa, do Águeda e da Ribeira de Aguiar.

Para concluir e em forma de síntese, é importante salientar que em relação ao clima, a predominância da vinha, da oliveira, da amendoeira e outras culturas marcadamente mediterrânicas traduzem uma unidade morfo-climática que já se identifica bastante com a Terra Quente transmontana.

Património histórico e arquitectónico

O concelho de Figueira de Castelo Rodrigo encerra em si um enorme património histórico e arquitectónico de grande valor e singularidade. Da ocupação imemorial deste território ficaram alguns vestígios em óptimo estado de conservação. Por todo o concelho podemos encontrar múltiplas sepulturas antropomórficas, explorações mineiras proto-históricas e "Vilas" Romanas. Será de destacar alguns conjuntos representativos da ocupação romana, tal como a ponte de Cinco Vilas sobre o rio Côa , a ponte de Escalhão sobre a Ribeira de Aguiar a Ponte da Vermiosa, a Ponte de Almofala e o "Casarão da Torre". Este último conjunto, o "Casarão da Torre", também conhecido por "Torre da Almofala" ou "Torre das Águias" é o que resta de um Templo Romano que sofreu várias remodelações sendo reaproveitado na Idade Média para torre defensiva. A sua imponência e o seu enquadramento paisagístico, junto à barragem de Santa Maria de Aguiar, dificilmente abandonarão a memória de quem o visita.

Mas muito mais há a dizer em relação ao património deste concelho. Cada freguesia, pelo respectivo espólio histórico-arquitectónico, será digna de observação atenta, sendo, no entanto, de destacar Castelo Rodrigo e o Convento de Santa Maria de Aguiar.

Castelo Rodrigo, considerada por muitos "um verdadeiro tratado medieval", presta ao visitante, desde logo, as "honras da casa". Esta vila muralhada, sobressai no horizonte com o seu casario granítico a integrar-se perfeitamente na paisagem. Este aglomerado evidencia-se, antes demais, pelo seu conjunto histórico constituído pelas muralhas medievais e respectivos torreões, pelas ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, pelo pelourinho quinhentista, pela cisterna com arcos estilo árabe e manuelino, e pela igreja medieval. Actualmente, esta povoação está integrada no "Programa de Recuperação das Aldeias Históricas", pelo que se encontra num profundo processo de restauro e reabilitação.

O Convento de Santa Maria de Aguiar, também conhecido por "Mosteiro Turris Aquilaris" ou "Real Mosteiro de Santa Maria de Aguiar", é um monumento que comporta vários agrupamentos edificados, a Igreja românico-gótica, a casa do capítulo e os vestígios do claustro do histórico convento cisterciense de Santa Maria de Aguiar e, por fim, a hospedaria (actualmente aproveitada para turismo de habitação). Neste conjunto podemos encontrar quatro estilos arquitectónicos: Românico, Gótico, Manuelino e Barroco.

No concelho de Figueira de Castelo Rodrigo o riquíssimo espólio histórico e patrimonial, aliado a uma qualidade ambiental invejável e a uma forte identidade e tradição, constituem, certamente, o convite para a sua visita.

Aspectos demográficos e sociais

Actualmente, a questão demográfica surge neste concelho como uma das suas características mais marcantes, uma vez que este factor constitui um dos principais factores de reestruturação espacial e, simultaneamente, um condicionante ao seu desenvolvimento, uma vez que este concelho tem vindo a perder população ao longo das últimas quatro décadas.

Na viragem para a segunda metade do século, a variação inter-censitária inverteu bruscamente o sentido, passando a ser profundamente negativa até 1970. A principal causa está, basicamente, na conjugação de dois factores: o início de uma conjuntura social, política e económica que se veio a revelar propícia ao incremento de fluxos migratórios direccionados para o exterior ou para as grandes aglomerações urbanas do litoral e o acentuar do decréscimo da natalidade. O decréscimo atingiu o pico na década de 60, com todas as freguesias a perderem mais de um terço da população.

Entre 1970 e 1981 verificou-se um pequena acréscimo de população (3.9%). Esta situação estará ligada principalmente ao retorno de emigrantes das ex-colónias e, em alguns casos, da Europa.

De 1981 a 1991, o concelho registou novamente uma variação negativa. Esta variação está mais dependente da redução da natalidade e aumento da mortalidade do que propriamente de movimentos migratórios, caminhando este concelho para uma redução efectiva da população e aumento das assimetrias intra-concelhias que o próximo Censo (2001) irá certamente confirmar.

Com a diminuição progressiva da população, o concelho e as suas freguesias vão ficando com densidades cada vez mais baixas chegando, em 1991, a valores inferiores a 10 habitantes por Km2. Esta rarefacção da população é acompanhada do abandono progressivo de lugares e aldeias e de tendências de concentração da população nos principais núcleos de povoamento, designadamente a sede de concelho que tem registado um aumento significativo da sua densidade demográfica.

O índice de envelhecimento registado no concelho, em 1991, 156 idosos para cada 100 jovens, não é o mais elevado do distrito, contudo, quando analisamos o caso das freguesias, encontramos valores que fazem de algumas delas das áreas mais envelhecidas não só ao nível de Portugal, como também no contexto da Europa. A situação é mais grave no sector Oeste do concelho onde todas as freguesias registam índices de envelhecimento superiores a 200 idosos por cada 100 jovens e na freguesia de Escarigo onde o índice chega a 857.

No que diz respeito ao número de médicos e número de camas por cada 1000 habitantes, os valores registados (1.1 e 1.3, respectivamente) poderão fazer-nos antever que este concelho está sub-equipado e dependente dos serviços médicos oferecidos por outros concelhos.

Em relação às condições de habitabilidade, poderemos afirmar que, embora a situação tenha evoluído muito favoravelmente de 1981 para 1991, existiam ainda, nesta última data, bastantes carências no sector habitacional, pelo que as condições sanitárias de quase 30% dos alojamentos familiares estavam aquém da satisfação das necessidades sanitárias mínimas.

De certo modo associada ao envelhecimento da população, a taxa de analfabetismo vai registar, neste concelho, valores bastante elevados (16,2%) dentro do contexto da Região Centro.

Seguidamente, passamos ao número de pensionistas por 100 habitantes. Embora este indicador possa ser um espelho do índice de envelhecimento, não deixa de ser significativo o número de 33 pensionistas por cada 100 habitantes do concelho, em 1992 – um valor já mais elevado do que o da população activa (29 activos por cada 100 habitantes) - , bem como a tendência crescente que aponta para um valor bem superior a um terço da população no virar do século.

Informações Económicas

Se tivermos em conta a percentagem de população activa por sector e por sexo no concelho, em 1960, 1981 e 1991 rapidamente concluímos que este concelho sempre apresentou uma forte ligação ao sector primário e o predomínio do trabalho masculino. Outro factor importante desta distribuição, é a entrada progressiva da mulher no mercado de trabalho, com destaque para o sector primário onde a mulher passou de um peso insignificante, em 1960, para mais de um terço da população activa neste sector, em 1991.

Ao contrário do sector primário, o secundário cresceu bastante de 1960 para 1981, todavia, sem uma participação significativa do sector feminino. Sendo este concelho pouco industrializado e com uma forte ligação ao sector primário, o comércio e os serviços pesam cada vez mais, absorvendo uma parte expressiva do trabalho feminino.

Tendo em conta o número de estabelecimentos o respectivo pessoal ao serviço conseguimos caracterizar o concelho segundo a sua estrutura empresarial. Esta estrutura poderá ser sintetizada da seguinte forma: estrutura produtiva pouco especializada, com um relativo predomínio da indústria transformadora, seguida pelo comércio/restauração e serviços prestados à colectividade. Em relação à dimensão média dos estabelecimentos, poder-se-á afirmar que predominam claramente as micro-empresas, mesmo sabendo que existem unidades industriais com mais de trinta trabalhadores.

Se exceptuarmos quatro pequenas/médias unidades ligadas à industria transformadora, todo o restante tecido produtivo do concelho é marcado pelo predomínio da agricultura e das micro-empresas dependentes do mercado local/regional. Por fim, será de salientar o sector da extracção e transformação de granitos, que conta com quatro empresas neste concelho, uma vez que parece apresentar actualmente um grande dinamismo.

Links sobre o concelho

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