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Distrito - Concelho de Trancoso
Informações
Turísticas
O concelho de Trancoso caracteriza-se morfologicamente por uma
vasta área planáltica, com uma altitude média
de 750m. Variando entre os 450m no quadrante Sul/Sudoeste e os 950m
na Serra do Pisco a Poente e a Norte/Nordeste de Matinhos, Pingolinha
e Surgaçães, entre outras.
Este concelho abrange as cabeceiras de duas bacias hidrográficas,
respectivamente a do rio Douro a Norte, definindo 2/3 do território
e a do rio Mondego a sul, ocupando 1/3 da área do concelho.
A região é atravessada por numerosos cursos de água,
constituindo pequenas sub-bacias hidrográficas.
Na
região ocidental o relevo apresenta maiores contrastes, entrando-se
na zona dos primeiros contrafortes do maciço da Estrela,
em seguida, o vale alarga e depara-se com a depressão de
Celorico da Beira, larga bacia de erosão.
O concelho de Trancoso tem cerca de 11.000 habitantes (censo de
2001) e localiza-se na região Centro do País, no distrito
da Guarda; tem uma área de 364,54 km2 e é constituído
por 29 freguesias.
Trancoso foi uma das mais importantes vilas medievais portuguesas,
já que, devido à sua posição estratégica,
constitui um dos pontos mais avançados da reconquista cristã
para sul.
A posição dominante do castelo actual, com os seus
quase novecentos metros de altitude, faz-nos crer que, desde sempre
essa situação foi considerada pelos povoadores de
todas as épocas. Naturalmente que Trancoso seria um pequeno
povoado e não devia ultrapassar o espaço intra-muros
e que se circunscreveria certamente no ocupado hoje pelo castelo
e pouco mais. Após a invasão dos godos, naturalmente
que a povoação terá evoluído, mas nenhum
documento nos permite concluir, quer a dimensão dessa evolução,
quer o seu processamento. Aliás, notícias sobre Trancoso,
propriamente dito, só nos aparecem no séc. X, no testamento
de D. Flâmula, filha do conde D. Rodrigo, senhora de imensas
terras ao sul do Douro. Tratava-se já de um importante castelo,
embora um dos muitos que a dita dona possuía nesta vasta
região. Depois, em 1059, Fernando “ O Magno “de
Leão irá reconquistá-lo aos mouros, que na
sua arrancada de 715 sobre a Península, se apossam de quase
todo o território e o dominam por vários séculos.
A presença árabe em Trancoso não estará
perfeitamente esclarecida, mas é um facto indiscutível
que ocuparam o castelo por largo tempo, com alguns intervalos resultantes
das lutas entre cristãos e infiéis, até que
em 1160, D. Afonso Henriques o conquista definitivamente.
Trancoso no séc. XIII começa a ter uma grande importância.
Tornara-se um local de intensa actividade comercial, por força
da periódica reunião de feirantes, de que iria resultar,
ainda nesse século, por decisão de D. Afonso III,
a criação da sua feira franca. É, porém
com a escolha de Trancoso para lugar do seu casamento com D. Isabel
de Aragão, que, D. Dinis, confirmará a importância
assumida por esta terra na era de Duzentos. A vila, até 1297,
circunscrever-se-ia a uma área de, no máximo, cem
metros em redor do seu castelo. Verificando, todavia, que a população
se expandia extra-muros, D. Dinis decide-se a ampliar-lhe as muralhas,
abrigando a nova cerca, casas e terras que rodeavam a fortificação.
Essa preocupação de redimensionar Trancoso, transparece
na importante medida tomada em relação à sua
feira franca anual, que, por directiva de D. Dinis em 1306, passa
a mensal, fixando a sua duração em três dias.
Assim, como atrás referimos, sobre a acção
de Dinis, a vila, que possuiria dimensões muito restritas
e confinadas à área envolvente do castelo (desaparecidas
Portas de S. João à Porta do Carvalho ou de João
Tição), vai ver-se acrescentada de uma boa “fatia”
de território e ter o seu limite fixado, no sentido poente
- sul - norte até onde são hoje as Portas d’El-Rei
e do Prado. Esta ampliação, assaz importante e necessária,
permite-lhe ainda conseguir duas contribuições fundamentais
para o seu futuro dimensionamento: o da formação do
vasto bairro judaico e o traçado da famosa via - rua Direita,
depois de Corredoura e presentemente de Dr. Fernandes Vaz, que há-de
demarcar e até dividir todo o característico traçado
do burgo medieval no final de Quatrocentos e mesmo nos séculos
seguintes.
Trancoso foi uma das terras que tomou o partido de Mestre de Avis
na crise de 1383/85, acabando por ter que defrontar os castelhanos,
que foram derrotados, na Batalha de S. Marcos a 29 de Maio de 1385.
Durante as Invasões Francesas, o General inglês Beresford
estabelece aqui o seu Quartel-General, numa casa que ainda se conserva.
Trancoso teve também um papel fundamental no séc.
XIX, aquando da Revolução Liberal.
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